Gay ou Queer?

O termo gay aparece como alternativa ao termo “homossexual” com o avanço do movimento gay no final dos anos 60. A diferença entre um e outro diz respeito, basicamente, ao seu valor social. Se o termo “homossexual” é associado ao modelo médico legal e tem conotações de patologia e de crime, o termo gay expressa literalmente “felicidade” e “alegria”, é uma palavra antiga da língua inglesa que adquiriu esse novo sentido.
Nos anos 1990, alguns indivíduos insatisfeitos com o binarismo que a identidade gay persistia em afirmar, resolveram positivar um termo utilizado para ofender gays e lésbicas: queer, que seria menos restritivo e, ainda assim, permitiria laços políticos e sociais entre gays, lésbicas, bissexuais e heterossexuais transgressores, todos aqueles que rejeitam as noções estreitas e convencionais da sexualidade.
O primeiro grupo a adotar o termo queer foi o Queer Nation, um grupo de ativistas insatisfeitos com a falta de iniciativa dos grupos gays na luta pelos direitos civis de homossexuais e na luta por melhor tratamento aos doentes de AIDS.
O termo então foi adotado por acadêmicos como Eve Sedgwick e Judith Butler, em livros como Epistemology of the Closet (1990) e Gender Trouble (1990), respectivamente. Apesar de não ser uma teoria unificada, os teóricos queer têm algumas características em comum: empréstimos da teoria pós-estruturalista francesa, a desconstrução como método de crítica literária e social, a utilização de categorias e perspectivas psicanalíticas, a preferência por uma estratégia de descentramento e desconstrução a propostas políticas e sociais. Os teóricos queer pensam o social como um texto a ser interpretado e criticado com o objetivo de contestar o saber dominante e a hierarquia social.
Mas essa tentativa de superar o modelo binário de gênero e orientação não atende a todos. Na realidade, alguns gays e lésbicas continuam sentindo a necessidade de se definir dessa forma, seja através do modelo construcionista, seja através do modelo essencialista, de modo a se sentirem positivos e saudáveis em relação aos seus desejos por continuarem sendo perseguidos e estigmatizados pela maioria da sociedade.